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Triste com o fim do Salão? Veja como foi a estreia em 1960

Maior evento do setor na América Latina teve estreia grandiosa no parque do Ibirapuera. Por Marcos Camargo Jr

Com o anúncio do cancelamento do Salão do Automóvel de São Paulo previsto para este ano os fãs do automobilismo perdem um dos seus programas favoritos até que os organizadores decidam-se por um novo formato, data e até mesmo local para o evento. Em crise de identidade e com altos custos para as montadoras, o Salão foi por décadas o maior evento do setor automotivo da América Latina. Se você gosta do Salão saiba que isso nem sempre foi assim.

Por isso o Auto Show Collection resgata a história deste icônico evento relembrando sua origem em 1950.


Antes disso é preciso saber que o Salão do Automóvel não foi a primeira exposição de carros realizada no Brasil. Em 1927 uma exposição no Palácio da Indústrias, centro da capital paulista, levou milhares de pessoas para ver os automóveis de perto. Na mesma época, o Rio de Janeiro sediou sua própria mostra de veículos.


A ideia de trazer o Salão seguindo o modelo internacional ficou mais forte após a década de 1950. No governo de Juscelino Kubitschek, o grupo executivo da indústria automobilística deu origem ao esforço por trazer fabricantes para se instalarem no país. Começou com a DKW, Willys Overland, Volkswagen, Ford caminhões, Fábrica Nacional de Motores, Chevrolet e seguiria nos anos seguintes.

O ano de 1956 foi chave para essa definição. Os automóveis brasileiros estavam chegando ao país, havia um forte investimento em estradas e impulso para que essa indústria pudesse crescer. Mas e o Salão?


Ficou decidido que o primeiro Salão do Automóvel seria realizado em 1960 ocupando um antigo pavilhão de exposições que havia no recém inaugurado Parque do Ibirapuera, que ficou pronto em 1954. O evento ficaria sob a responsabilidade da Alcântara Machado Comércio e Empreendimentos, que já tinha experiência em outros eventos desse tipo. Com 20 mil metros de extensão o espaço abrigou o primeiro Salão do Automóvel de São Paulo.


Naquela época, o país já tinha 11 fabricantes de veículos. A Volkswagen apresentava a linha nacional com o Fusca e a Kombi, a DKW mostrava os versáteis Belcar e a perua Vemaguet, a Willys Overland já tinha uma linha completa de veículos com o Jeep, Aero Willys e a Rural (projetos da Jee) e também fabricava sob licença o Renault Dauphine, entre outros. No mesmo estande a marca expunha o conceito Saci, derivado da Rural, que era um utilitário familiar conversível.

Os estandes eram muito amplos e havia espaço para colocar, inclusive caminhões. A Ford ainda não fabricava automóveis no Brasil (o primeiro seria o Galaxie sete anos depois) e expôs a pickup F100 e os caminhões que tinham "força para qualquer estrada".

A Mercedes Benz levou seus caminhões e ônibus para o evento em uma época de forte demanda pelo transporte rodoviário.

A FNM levava seus modernos utilitários e o luxuoso automóvel FNM 2000 JK que tinha câmbio de cinco marchas e freio a tambor com aletas para melhorar a eficiência e era o carro nacional mais caro da época. Havia inclusive uma unidade que exposta com esguichos de água direcionados para o carro mostrando que ele tinha boa proteção contra infiltrações.

Outro carro de corrida da linha era o carro vencedor das Mil Milhas Brasileiras pilotado por Chico Landy e Christian Heiz, que estiveram no evento. A ideia era promover o FNM como carro moderno e durável.

A Chevrolet não fabricava automóveis e levou sua linha de utilitários Amazonas e Brasil. O primeiro automóvel da GM seria o Opala que chegaria quase dez anos depois. Também foram expostos os caminhões que eram montados em kits CKD em São Caetano do Sul desde os anos 1930.

A Volkswagen tinha um moderno estande com carros em patamar mais alto, vários modelos da Kombi e também do Fusca. A decoração e ornamentação do espaço foi feita seguindo o padrão alemão, mostrando que o Salão de São Paulo nasceu para se projetar como evento internacional.

No Salão do Automóvel cinco veículos foram sorteados entre os participantes do evento. Além da exposição, fabricantes de autopeças mostravam o futuro das tecnologias presentes na indústria automobilística, havia também desfiles de moda, palestras e eventos paralelos que reuniram já naquela época 400 mil pessoas. 
Eventos assim sempre movimentaram a capital paulista.

Nos anos 1970 o Salão do Automóvel se transferiu para o moderno complexo do Anhembi, uma estrutura maior, para abrigar o evento que atraía multidões em torno dos lançamentos do setor. Neste espaço eventos como o Feirão AutoShow e o AutoShow Collection reúne os fãs de carros e motos às terças e domingos.

O AutoShow Collection, nas noites de terça, ocupa o sambódromo do Anhembi com uma grande programação que inclui exposição de veículos, desfile, praça de food trucks, música ao vivo entre outras atrações.

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