Panorama abriu os caminhos para as station wagon da Fiat no país

Inspirada na Panorama do Fiat 128, ela foi a pequena grande perua produzida entre 1980 e 1986. Por Marcos Camargo Jr

Em 1976 o Fiat 147 ganhava as linhas de produção em Betim. O carro pequeno tinha motor transversal, grande espaço interno mas era menor que todos os concorrentes e essa características iria “perseguir” o compacto ao longo dos seus dez anos de vida. Assim que foi lançado o carro não foi um sucesso imediato por ser bem diferente que seus concorrentes como o Fusca, Chevette, Passat e Corcel. 

No Salão do Automóvel de 1976 uma pista montada do lado de fora do Anhembi servia para os visitantes conhecerem a novidade a bordo do carro apresentado por um técnico da montadora. Assim que o 147 foi lançado a Fiat já tinha planos.

Em dois anos apresentava a versão pickup e trabalhava em uma base mais “esticada”, 18cm alongada, para apresentar em 1980 a perua Panorama.

A fórmula, no entanto, não era nova e sim derivada do Fiat 128 Panorama (abaixo). 
Ela foi lançada em abril de 1980 junto com a linha “Europa” e as vendas começaram no mês seguinte. Com 3,78m, a perua era menor que os concorrentes e estreava em duas versões: L e CL com pequenas diferenças entre si.

O motor era o 1300 de 61cv e comportava 730 litros de bagagem ou 1440 litros com o banco traseiro rebatido. Era pequena mas tinha espaço interno invejável. Atrás não havia estepe ou desnível o que tornava fácil para acomodar volumes grandes. Era também a mais econômica do segmento.

Em 1983 com a chegada do Spazio, o acabamento com parachoques de plástico também foi aplicado à Panorama e suas vendas iam bem. Diante de concorrentes como a Chevrolet Marajó ela tinha mais espaço de bagagem, andava mais que a Volkswagen Variant II e era mais fácil de manobrar do que a Ford Belina. Apesar de sua posição de dirigir “em cima do painel”, do volante e do câmbio de engates difíceis, a perua Fiat era um sucesso do segmento.

A base alongada da Panorama permitiu a troca da Fiat pickup pela Fiat City, com caçamba 15cm mais longa, o que melhorou seu posicionamento de mercado.

Em 1984 a Fiat lançava o Uno, projeto mundial que chegava ao país para aprimorar o conceito de carro familiar estabelecido pela Panorama. A esta altura a Fiat contava com o 147 hatch, o Spazio, o Fiat City (aberto ou a versão furgão), Oggi e a perua Panorama. A chegada do Uno selava o fim do 147 que foi reposicionado entre 1985 e 1986, quando saiu de linha. No mesmo ano chegava a Elba e logo depois a Fiorino e o Premio.


A “mãe” da Panorama

Um carro compacto com motor transversal, tração dianteira, pequeno nas dimensões e generoso no interior não eram características únicas do 147, nem só da Panorama. Como se sabe seu projeto deriva do Fiat 127, porém o modelo nacional é maior e mais longo que o pequeno hatch italiano que no início dos anos 1970 era o carro mais vendido na Europa. A ideia da perua nasceu um pouco antes com o modelo 128. 

Esse carro tinha linhas quadradas (até então os modelos da marca eram marcadamente arredondados ao estilo do 500 e 600 e da perua Multipla), deu origem a uma família quase completa com sedã cupê e uma perua.

Apresentado em 1969, o Fiat 128 nascia com a versão Panorama, que fez muito sucesso devido ao vidro traseiro grande e uma opção de cinco portas. O motor era o 1100 de 55cv com câmbio manual de 4 velocidades. 

O Fiat 128 Panorama, também chamado Familiare, chegou a ser produzido com sucesso na Argentina e exportado para alguns países latinoamericanos. Na Itália ele durou até 1979, e quando foi substituído pelo Ritmo, ficou em linha como modelo de entrada até 1983. Na Argentina ele foi até 1990 convivendo paralelamente com o 147 e com a própria Panorama feita em Betim e exportada para o país vizinho. 

Boas ideias foram incorporadas pela Panorama nacional que só não teve versão de cinco portas por uma questão cultural. Os brasileiros rejeitaram a versão cinco portas em clínicas feitas pela marca. Os argentinos receberam bem a novidade versátil produzida lá até 1990.

O Fiat 128 com sua versão familiar (Estate ou Station Wagon) conforme o país produzida pela Zastava e até pela Seat na Espanha. Por aqui ficamos com a Elba até 1997 já convivendo com a Palio Wekeend que foi líder de mercado por 20 anos e só foi descontinuada em abril de 2020.

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