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Mercado de carros cresce em 2023 mas Anfavea fala em “instabilidade” nas vendas após fim do desconto federal

As vendas de veículos seguem crescendo julho embora a produção siga em um ritmo mais lento ao longo deste ano

Veja os dados de venda de veículos ao longo de 2023. Por Marcos Camargo Jr.

Produção da Volkswagen – VW/Divulgação

As vendas de veículos seguem crescendo julho embora a produção siga em um ritmo mais lento ao longo deste ano. Dados da Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, foram 225,6 mil veículos vendidos no mês passado, crescimento significativo em um mês com tendência de alta embora a produção e exportações sigam caindo. 

Em relação a junho, quando começaram os licenciamentos já com os descontos, o crescimento chegou a 19% e 22% a mais em relação ao mesmo período do ano passado.  Para ajustar a produção às vendas, que agora contam com cerca de 200 mil veículos em estoque, os números mostram queda de 3%.

Produção cresceu impulsionada por descontos – Fiat/Divulgação

Este ano 1,315 milhão de veículos já foram produzidos no país, mas está igual aos sete primeiros meses do ano passado.

Exportações e máquinas tem momento difícil 

Os mercados da Colômbia, Chile e Argentina demandaram menos veículos do Brasil o que levou a uma queda nos números de exportação. No total, as exportações do Brasil no ano chegaram a 257,7 mil unidades, redução de 10,6% sobre janeiro-julho de 2022. Na Argentina a criação de mais um imposto de 7,5% como forma de aumentar o protecionismo local, tendem a diminuir mais a presença dos carros brasileiros no país vizinho. 

Produção se ajusta para um ritmo um pouco mais lento – Fiat/Divulgação

O presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, disse que a criação do imposto vem sendo tratada pelo governo brasileiro com os argentinos. “Temos que garantir que o acordo seja cumprido e que haja competitividade dos produtos brasileiros”, disse o executivo referindo-se ao Mercosul. 

O mercado de máquinas e implementos também registra queda mostrando um desaquecimento em setores vitais da indústria. Há 6,8% menos vendas neste ano e a produção já diminuiu 5,2% em 2024.

Fiat Argo na Argentina, país que criou imposto adicional de 7,5% – Fiat/Divulgação

A Anfavea também manteve a sua previsão de crescimento de 4,1% das vendas para esse ano, mas os executivos falam em instabilidade do mercado embora a perspectiva de financiamento seja boa com a primeira queda da SELIC anunciada semana passada. 

O indicador mais prejudicado deste ano é o das exportações, sobretudo pelas complicações internas de destinos importantes como Colômbia e Chile, entre outros países sul-americanos. A Argentina mantém os patamares de 2022 no comércio com o Brasil, que já estavam aquém do potencial do mercado vizinho. A única surpresa positiva é o México, que lidera pela primeira vez na história o ranking de embarques de modelos brasileiros, com mais de 83 mil unidades, 90% acima do volume do ano passado.

Países vizinhos em dificuldades compram menos carros – El Colombiano/Reprodução

Máquinas têm leve retração no primeiro semestre 

O setor de máquinas continua em patamares elevados, mas um pouco aquém dos bons números do ano passado. No fechamento do primeiro semestre, máquinas agrícolas tiveram queda de 6,8% nas vendas e de 5,2% nas exportações, em função da baixa nos preços das commodities. Já as máquinas rodoviárias caíram 14,8% no mercado interno, mas cresceram 9,4% nos mercados fora do país.

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