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Jeitinho brasileiro? Hábito de “adulterar quilometragem” explode nos EUA

Casos chegam a quase meio milhão de carros fraudados na Califórnia; prejuízo é grande ao comprar carro sem a devida inspeção veicular

O hábito de voltar a quilometragem de um carro usado não é um hábito exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos uma pesquisa feita pela empresa Carfax, que emite laudos de veículos usados mostra que em um ano esse costume cresceu 7% em apenas um no Estados Unidos. 

Com a tecnologia mais acessível, profissionais conectam aparelhos que são capazes de reduzir a quilometragem informada no hodômetro. O resultado? Engano que pode pesar no bolso com prejuízos não previstos. Além disso o carro adulterado vale menos no mercado de usados. 

A Califórnia, estado que vive uma crise de insegurança pública com a descriminalização de pequenos roubos, também lidera o “jeitinho” de retornar a quilometragem no odômetro do veículo. Por lá 437 mil veículos foram apontados com a quilometragem adulterada ao longo de 2022. A frota da Califórnia também é uma das maiores do país com 26 milhões de veículos e vendas anuais de 1,9 milhão de unidades novas. 

Este hábito é considerado crime federal nos EUA assim como no Brasil. Mas aqui o dono de um carro adulterado não pode ser preso a não ser que a adulteração seja fruto de um esquema organizado por uma quadrilha o que é sempre difícil de comprovar. Nos EUA o órgão nacional de trânsito equivalente ao nosso Contran divulga que só em 2022 cerca de 450 mil veículos com quilometragem adulterada renderam problemas com custos judiciais e consertos aos seus proprietários. 

Prejuízo no bolso 

Cada dono de carro comprado sem a devida inspeção prévia rendem, em média, US$ 4 mil (cerca de R$ 12 mil) em consertos não previstos se a quilometragem apontada pelo hodômetro do carro estivesse correta. Reparos de suspensão, pneus e consertos de motor são os problemas mais comuns.

Percentualmente os estados com maior crescimento dos índices de adulteração são o Texas com 15% de aumento, Flórida e Arizona com 12% e Illinois com 5%.pelo visto, o problema que afeta vários países como o Brasil em larga escala também afeta compradores de carros usados nos EUA. 

Como evitar ser enganado?

A compra de um carro usado envolve alguns cuidados específicos para quem não tem conhecimento mecânico. Antigamente o ideal era “levar um mecânico de confiança” para vistoriar o veículo previamente. Hoje o cuidado ideal é fazer um laudo cautelar completo que traz dados das bases oficiais como a quilometragem real do veículo. Veja também outros cuidados:

  • vistoriar o estado real do veículo: avarias de carroceria, repinturas, partes desalinhadas entre outros indícios mostram que o carro já tem alta quilometragem e já sofreu reparos
  • o interior do carro deve condizer com sua quilometragem. Bancos sujos, carpetes e pedaleiras, principalmente, sofrem desgaste com o tempo. Desconfie de peças novas recém instaladas especialmente o estado do carpete e dos bancos, paineis e forrações
  • ao andar com o veículo ficar atento a ruídos e rangidos vindos da suspensão ou do motor, do freio ou do acabamento interno que deve estar em bom estado. Carro barulhento significa que não foi bem tratado ao longo de sua vida
  • desconfie de carros sem histórico de manutenção. Se o dono puder comprovar revisões feitas, itens reparados e trocados e outras providências são bom sinal. Carro sem histórico algum de reparo é sinal de problema
  • não aceite laudos mais simples como o “laudo de transferência”. Exija a emissão de um laudo cautelar recente e feito em local de confiança. Esse laudo traz informações documentais do veículo como quando foi adquirido e o local, quantos donos já teve, se sofreu algum sinistro, se há recall aberto entre outros.