Do Fusca Pé de Boi ao Gol G4, os principais modelos mais baratos e a razão para o sucesso (ou o fracasso) das medidas de corte de impostos. Por Marcos Camargo Jr.

Nossa industrialização foi tardia no Brasil. Com altos impostos, só tivemos indústria efetiva de veículos nacionais após 1956 com a Romi Isetta e depois com a DKW Vemag. Mas o carro sempre foi reservado a poucas pessoas que podiam pagar por ele. Em vários momentos da história, começando pelo GEIA, o grupo inicial de montadoras que iniciaram seus passos no Brasil, o governo sempre interferiu na industria automotiva que é vital na formação da economia ainda mais em um país que é populoso. Relembre os principais modelos que foram lançados no Brasil e os programas que levaram aos cortes de impostos e incentivo à modernização da indústria.

Programa de financiamento da Caixa
Em 1965 o governo militar criou uma linha de crédito para compra de carros zero quilômetros dentro de uma faixa de preço. Após 1956, havia uma série de opções em vários segmentos, do Willys Rural e da Kombi ao Fusquinha, mas pouca gente podia comprar esses carros. Assim, ainda no governo militar, foi criada uma linnha de financiamento da Caixa Econômica. Era preciso se inscrever no programa e se aprovado, ter uma análise de crédito para a compra de um modelo de entrada. E esse modelo não existia no mercado. A resposta veio rápido.

Assim, as fábricas da época criaram modelos como o Volkswagen Fusca Pé de Boi, com motor 1200, sem cromados, sem para-choques reforçados, sem marcador de combustível ou nada de “luxo”. Dentro do programa foi o carro mais bem sucedido.

Nessa época também foram feitos carros como o DKW Pracinha, Simca Profissional e Renault Gordini Teimoso (Willys Overland), na mesma toada. Mas o sucesso foi limitado pois o carro mais barato da época custava R$ 120 mil, caso do Fusca. Isso dá uma ideia de quanto os carros populares eram caros e inacessíveis.

Nos anos 1970 a indústria cresceu dentro do cenário do Milagre Econômico mas a inflação e a crise do petróleo atrapalharam os planos. Vieram carros novos como o Chevette, Corcel II, Brasília e tantos outros como o Fiat 147, mas ainda sem um programa de impostos reduzidos naquele momento.

Carro popular do Collor
O segundo movimento para tentar baratear o preço dos carros foi feito pelo governo Collor em maio de 1990. Na época da hiperinflação o IPI passava de 37% para 20% para modelos com motor de até 1 litro.

Só a Fiat tinha um motor pronto para atender o programa e usou o propulsor Fiasa de 994cm3 para colocar no Mille, que perdia itens como ajuste dos bancos, espelhos nos para-sois, rádio e conta-giros para custar menos. Na seqüência, vieram Escort Hobby, Chevette Junior e Volkswagen Gol 1000 com motor CHT (da Ford, por conta da joint-venture com a VW que formou a Autolatina).

O Uno custava em valores atualizados cerca de R$ 51 mil nos dias de hoje, o que era um valor bem competitivo, mas a inflação atrapalhou os planos do governo e após a abertura econômica as montadoras passaram a investir em novidades. Projetos como o Ford Fiesta e Ka, Gol de segunda geração e Corsa chegariam com força após a estreia do plano real em 1994.

IPI reduzido nos anos 2000
O terceiro movimento para reduzir o preço do carro de entrada no páis foi dado durante o segundo governo Lula. A lista incluía redução do IPI para carros com motorização de 1 litro e desconto menor para carros de motorização mais alta. Funcionou apesar das críticas uma vez que todos os recordes de produção foram alcançados entre 2009 e 2012, mesmo com a crise econômica mundial.

Embora o Brasil já tivesse muitos carros com motor 1.0 sem equipamentos, foi a partir do fim dessa década que os modelos simplificados tiveram seu auge. Era o caso do Chevrolet Celta Life, Gol G4 (de segunda geração mas com facelift), Fiat Palio de primeira geração com amplo facelift entre outros modelos.

Com crédito barato, a produção de veículos superou 3,5 milhões de unidades ainda em 2014. Nos anos seguintes, cairia drasticamente chegando ao pior momento em 2016 durante o governo Dilma.

No entanto, a partir de 2014, com novas regras de emissões e a pressão por mais dispositivos de segurança, os carros começaram a ficar mais caros e mais equipados. A entrada da obrigatoriedade de airbags e ABS tiraram modelos lendários de linha como a Volkswagen Kombi, Fiat Uno e também outros modelos ficaram inviáveis como Chevrolet Corsa, Gol de segunda geração bem como outros mais antigos.

partir desse momento os projetos seriam de carros mais equipados como Onix, Argo, Ka entre outros que eram mais caros que os seus antecessores.
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